Provando
a Hipnose
Embora freqüentemente desacreditada
como enganosa, a hipnose tem se mostrado
um fenômeno verdadeiro e eficaz,
com uma variedade de aplicações
terapêuticas - especialmente no
controle da dor.
por Michael
R. Nash e Grant Benham
"Você
está ficando sonolenta. Muuuito
sonolenta..." Um homem de colete
balança seu relógio de bolso
de um lado para outro diante do rosto
de uma jovem em uma sala da era vitoriana.
Ela fixa o olhar no relógio, seguindo
o movimento pendular com os olhos. Momentos
depois ela está afundada na cadeira,
olhos fechados, respondendo às
perguntas do hipnotizador como um zumbi.
Todo mundo
já viu uma cena de hipnose como
esta no cinema ou na televisão.
De fato, basta dizer a palavra "hipnose"
para muitos pensarem em relógios
de bolso. Hoje, porém, é
mais comum que o hipnotizador simplesmente
peça a uma pessoa para fixar o
olhar num objeto imóvel - como
uma tachinha colorida numa parede branca
- durante o "estágio de indução",
que em geral consiste em palavras suaves,
que sugerem relaxamento e concentração.
Mas a
hipnose é um fenômeno de
fato verdadeiro? Em caso afirmativo, é
útil para quê? Durante os
últimos anos, os pesquisadores
descobriram que indivíduos hipnotizados
respondem de forma ativa às sugestões,
ainda que às vezes percebam as
mudanças radicais de pensamento
e de comportamento que experimentam como
se acontecessem "por si mesmas".
Durante a hipnose, é como se o
cérebro suspendesse temporariamente
as tentativas de validar a informação
sensorial que recebe. Algumas pessoas
são mais hipnotizáveis que
outras, embora os cientistas ainda não
saibam por quê. Não obstante,
a hipnose está encontrando usos
médicos no controle da dor crônica,
no tratamento da ansiedade e em combinação
com procedimentos hospitalares convencionais
- na recuperação mais rápida
de pacientes que sofreram cirurgias, por
exemplo.
Apenas
nos últimos 40 anos os cientistas
tiveram acesso a instrumentos e métodos
para separar os fatos sobre a hipnose
das suposições exageradas.
Mas o estudo dos fenômenos hipnóticos
está hoje solidamente incorporado
ao domínio da ciência cognitiva
normal, com artigos sobre hipnose publicados
em algumas das mais seletivas revistas
científicas e médicas. É
claro que espetáculos como a "hipnose
encenada" com propósito de
entretenimento não desapareceram.
Mas os novos achados revelam como o poder
da sugestão hipnótica pode,
quando usado de maneira adequada, alterar
processos cognitivos tão diversos
quanto a memória e a percepção
da dor.
Escalas
de suscetibilidade
Para estudar qualquer fenômeno com
propriedade, antes de mais nada os pesquisadores
devem adotar um modo de medi-lo. No caso
da hipnose, são adotadas as Escalas
de Suscetibilidade Hipnótica de
Stanford, concebidas no final da década
de 50 pelos psicólogos André
M. Weitzenhoffer e Ernest R. Hilgard,
da Universidade Stanford, e ainda hoje
usadas para determinar até que
ponto um indivíduo responde à
hipnose.
Uma versão
das escalas de Stanford, por exemplo,
consiste em uma série de 12 atividades
- como manter o braço da pessoa
estendido ou inalar o conteúdo
de uma garrafa - que testa a profundidade
do estado hipnótico.
No primeiro
exemplo, os indivíduos são
levados a acreditar que estão segurando
uma bola muito pesada, e são "aprovados"
se o seu braço se curva sob o peso
imaginado. No segundo caso, as pessoas
são induzidas a pensar que não
têm o sentido do olfato, e um frasco
de amônia é agitado sob seu
nariz. Se elas não apresentam reação,
são consideradas muito suscetíveis
à hipnose.
As escalas
de Stanford variam de zero, para indivíduos
que não respondem a nenhuma das
sugestões hipnóticas, a
12, para aqueles que são sensíveis
a todas elas. A maioria das pessoas alcança
a pontuação média
(entre 5 e 7); 95% da população
obtêm uma pontuação
de pelo menos 1.
O
que é hipnose
Baseados em estudos que usam as escalas
de Stanford, pesquisadores com perspectivas
teóricas muito diferentes hoje
concordam com vários princípios
fundamentais da hipnose. O primeiro deles
é que a capacidade de uma pessoa
para responder à hipnose é
bastante estável durante a vida
adulta. No talvez mais enfático
exemplo disto, um estudo mostrou que,
quando reavaliados, os indivíduos
estudados por Hilgard obtiveram, aproximadamente,
as mesmas pontuações nas
escalas de Stanford que 10, 15 ou 25 anos
antes. Estudos mostraram que a pontuação
de um indivíduo nas escalas de
Stanford permanece tão similar
ao longo do tempo quanto o QI - se não
mais. Além disso, há evidências
de que a suscetibilidade à hipnose
pode ter um componente hereditário:
gêmeos idênticos têm
maior probabilidade de obter pontuações
parecidas nas escalas de Stanford do que
gêmeos não-idênticos
do mesmo sexo.
A suscetibilidade
de uma pessoa à hipnose também
permanece coerente a despeito das características
do hipnotizador: o gênero, a idade
e a experiência do hipnoterapeuta
têm pouco ou nenhum efeito na capacidade
de um indivíduo ser hipnotizado.
Da mesma forma, o sucesso não depende
de o indivíduo estar motivado ou
ser especialmente propenso. Um indivíduo
muito suscetível será hipnotizado
mesmo sob uma variedade de condições
experimentais e terapêuticas, ao
passo que uma pessoa menos suscetível
não será, apesar de seus
sinceros esforços. (Atitudes e
expectativas negativas podem, entretanto,
interferir na hipnose.)
Outros
estudos também mostraram que a
capacidade de ser hipnotizado não
está relacionada a características
de personalidade como histeria, psicopatologia,
credulidade, confiança, agressividade,
submissão ou imaginação.
Nem os indivíduos que são
hipnotizáveis com facilidade são
mais sensíveis do que os outros
a influências sociais como questões
ambíguas ou pressões do
meio. Por outro lado, ser suscetível
à hipnose está relacionado
à capacidade de uma pessoa concentrar-se
em atividades como ler, ouvir música
ou sonhar acordado.
A grande
capacidade de uma pessoa ser hipnotizada
sem esforço poderia em parte ser
determinada pela morfologia cerebral.
Em 2004, James E. Horton, da Universidade
da Virgínia, e Helen J. Crawford,
do Instituto Politécnico da Virgínia,
mostraram com imagens MRI (ressonância
magnética) que o rostro do corpo
caloso era 32% maior em indivíduos
altamente hipnotizáveis do que
em indivíduos não suscetíveis
à hipnose. Essa região do
cérebro é responsável
pela atenção e por inibir
estímulos indesejados.
Sob hipnose,
os indivíduos não se comportam
como autômatos passivos, mas como
pessoas que solucionam problemas e que
incorporam suas idéias morais e
culturais ao próprio comportamento,
enquanto permanecem bem sensíveis
às expectativas do hipnotizador.
Não obstante, o indivíduo
não experimenta o comportamento
sugerido pela hipnose como algo que é
alcançado de forma ativa. Ao contrário,
isto em geral é considerado como
algo que não depende de esforço
- simplesmente acontece. Pessoas que foram
hipnotizadas dizem coisas como "Minha
mão ficou pesada e abaixou sozinha",
ou "De repente, percebi que não
sentia nenhuma dor".
Muitos
pesquisadores acreditam hoje que este
tipo de desconexão é a essência
da hipnose. Ao responder a uma sugestão,
os indivíduos fazem movimentos
sem consciência, não percebem
a estimulação excessiva
de dor ou esquecem por um certo tempo
um fato conhecido. É claro que
este tipo de coisa também acontece
fora da hipnose - na vida cotidiana e
em certas desordens psiquiátricas
e neurológicas.
Usando
a hipnose, os cientistas criam temporariamente,
em laboratório, alucinações,
compulsões, certos tipos de perda
de memória, falsas recordações
e ilusões, de forma que estes fenômenos
possam ser estudados em um ambiente controlado.
O
que a hipnose não é
Quanto mais os cientistas descobrem sobre
a hipnose, mais encontram evidências
que contrariam certas dúvidas sobre
a técnica. Uma dessas hipóteses
é a de que a hipnose seria motivada
por uma imaginação vívida,
mas isso não parece se verificar.
Muitas pessoas imaginativas não
são hipnotizáveis, e nenhuma
relação entre as duas capacidades
foi determinada.
A questão
sobre a imaginação vem do
fato de que muitas pessoas que são
hipnotizáveis podem ser levadas
impulsivamente a experimentar alucinações
auditivas e visuais realistas. Mas um
estudo que usa a tomografia de emissão
de pósitrons (PET) - que também
mede o metabolismo - mostrou que diferentes
regiões do cérebro são
ativadas quando um indivíduo imagina
um som, mais do que quando tem uma alucinação
sob hipnose.
Em 1998,
Henry Szechtman e colegas, da Universidade
McMaster, em Ontario, usaram as imagens
PET para mapear a atividade do cérebro
em indivíduos hipnotizados que,
convidados a imaginar um cenário,
experimentaram uma alucinação.
Os pesquisadores observaram que a alucinação
auditiva e o ato de imaginar um som são
autogerados e que, como a audição
real, uma alucinação é
experimentada como se viesse de uma fonte
externa. Através do monitoramento
do fluxo sangüíneo nas áreas
ativadas durante a audição
e a alucinação auditiva,
mas não durante a simples imaginação,
os pesquisadores buscaram determinar em
que lugar do cérebro um som proveniente
da alucinação é erroneamente
"registrado" como autêntico
e originário do mundo exterior.
Szechtman
e seus colegas mapearam a atividade cerebral
de oito indivíduos muito hipnotizáveis
que tinham sido pré-selecionados
por sua capacidade de ter alucinações
sob hipnose. Durante a sessão,
os indivíduos estavam hipnotizados
e deitados no PET scan com os olhos cobertos.
A atividade cerebral foi monitorada de
acordo com quatro condições:
1- em repouso; 2- enquanto ouviam uma
gravação com uma voz dizendo
"O homem não falava muito,
mas quando o fazia era valioso ouvir o
que ele tinha a dizer"; 3- enquanto
imaginavam ouvir a voz novamente; e 4-
durante a alucinação auditiva
que eles experimentaram depois de serem
induzidos a acreditar que a fita estava
tocando mais uma vez, embora não
estivesse.
Os testes
mostraram que uma região do cérebro
chamada córtex cingulado anterior
direito mantinha-se igualmente ativa enquanto
os voluntários tinham alucinação
e enquanto ouviam de fato o estímulo.
Em contraste, aquela área do cérebro
não era ativada enquanto os indivíduos
apenas imaginavam que ouviam o estímulo.
De alguma maneira, a hipnose havia induzido
esta área do cérebro a registrar
a voz proveniente da alucinação
como real.
Outra
dúvida levantada pelos críticos
da hipnose se refere à sua capacidade
para neutralizar a dor. Os céticos
argumentam que tal efeito é resultado
de puro relaxamento ou de uma reação
a placebo. Mas uma série de experiências
negaram estas explicações.
Em um clássico estudo de 1969,
Thomas H. McGlashan e seus colegas da
Universidade da Pensilvânia descobriram
que, para pessoas pouco hipnotizáveis,
a hipnose era tão eficaz na redução
da dor quanto uma pílula de açúcar
que havia sido apresentada a elas como
um poderoso analgésico. Mas indivíduos
altamente hipnotizáveis beneficiavam-se
três vezes mais da hipnose do que
do placebo. Em outro estudo, de 1976,
Hilgard e sua colega de Stanford Éva
I. Bányai observaram que certos
indivíduos eram suscetíveis
a sugestões hipnóticas tanto
pedalando de forma intensa bicicletas
ergométricas quanto em estado de
repouso.
Em 1997,
Pierre Rainville da Universidade de Montreal
e seus colegas planejaram determinar quais
estruturas cerebrais são responsáveis
pelo alívio da dor durante a hipnose.
Eles tentaram localizar as partes do cérebro
associadas ao componente de sofrimento
causado pela dor, como atividade distinta
de seus aspectos sensoriais. Usando imagens
PET, os cientistas descobriram que a hipnose
reduziu a atividade do córtex cingulado
anterior - uma área relacionada
à dor - mas não afetou a
atividade do córtex somato-sensorial,
onde as sensações de dor
são processadas.
Apesar
dessas descobertas, os mecanismos subjacentes
ao alívio hipnótico da dor
ainda são pouco compreendidos.
O modelo preferido pela maioria dos pesquisadores
é que o efeito analgésico
da hipnose ocorre em centros mais altos
do cérebro, diferentes daqueles
que são responsáveis por
registrar a sensação de
dor. Isto explicaria o fato de que a maioria
das respostas autônomas que em geral
acompanham a dor - como o aumento dos
batimentos cardíacos - permanece
quase inalterada pelas sugestões
hipnóticas de analgesia.
Mas as
pessoas não poderiam estar fingindo
que haviam sido hipnotizadas? Dois estudos
decisivos constradisseram tais suspeitas.
Numa
experiência inteligente de 1971,
intitulada o Hipnotizador Desaparecido,
Frederick Evans e Martin T. Orne, da Universidade
da Pensilvânia, compararam as reações
de dois grupos de indivíduos: um
composto por pessoas que eles sabiam ser
de fato hipnotizáveis e outro formado
por indivíduos que eles convocaram
para simular o estado hipnótico.
Um pesquisador que não sabia diferenciar
os grupos conduzia o procedimento hipnótico
habitual, que foi interrompido de repente
por uma falta simulada de energia elétrica.
Quando o pesquisador deixou a sala para
investigar o que havia acontecido, os
indivíduos que fingiam pararam
de representar: abriram os olhos, observaram
a sala e abandonaram a encenação.
Os indivíduos hipnotizados de verdade,
contudo, terminaram a hipnose aos poucos
e com certa dificuldade.
Os simuladores
também tendem a exagerar o seu
papel. Quando esses indivíduos
são sugestionados a esquecer determinados
aspectos da sessão de hipnose,
seus esforços para não se
lembrar são, às vezes, suspeitos
e evasivos, por exemplo, ou eles descrevem
experiências estranhas, que poucas
vezes são relatadas por indivíduos
realmente hipnotizados. Taru Mustonen,
hoje na Escola de Medicina Odontológica
de Harvard, e Harold S. Zamansky, da Universidade
do Nordeste, em Boston, testaram aqueles
que fingem usando testes tradicionais
com detector de mentiras. Eles descobriram
que quando indivíduos hipnotizados
respondem às perguntas, suas reações
fisiológicas em geral correspondem
aos critérios de veracidade. Com
os simuladores, ao contrário, isso
não acontece.
Hipnose
e memória
Talvez
nenhum outro aspecto tenha gerado mais
controvérsia na hipnose do que
a memória "recuperada."
A ciência cognitiva estabeleceu
que as pessoas são razoavelmente
capazes de discernir se um evento aconteceu
de verdade ou se elas apenas o imaginaram.
Mas sob certas circunstâncias, hesitamos.
Podemos vir a acreditar (ou ser levados
a acreditar) que alguma coisa nos aconteceu
quando, de fato, não aconteceu.
Um dos mecanismos-chave que as pessoas
parecem usar para discernir a realidade
da imaginação é a
experiência do esforço. Ao
que tudo indica, para codificar uma memória
um "sinal" nos informa sobre
a quantidade de esforço que despendemos:
se o evento é marcado pelo uso
intensivo de esforço mental, tendemos
a interpretá-lo como algo que imaginamos.
Se é marcado por um pequeno esforço
mental, tendemos a interpretá-lo
como algo que ocorreu. Uma vez que o "cartão
de visita" da hipnose é a
sensação da falta de esforço,
entende-se por que as pessoas hipnotizadas
podem confundir tão facilmente
um evento imaginado com algo que aconteceu
há muito tempo. Conseqüentemente,
alguma coisa apenas imaginada pode se
tornar um episódio inerente à
nossa história de vida.
Uma série
de estudos analisa este efeito. Indivíduos
hipnotizados com facilidade, por exemplo,
podem ser levados a produzir narrativas
detalhadas e emocionantes dos seus primeiros
meses de vida, embora esses eventos não
tenham de fato acontecido e embora os
adultos não sejam capazes de lembrar
dos primeiros anos de vida. Do mesmo modo,
quando sugestionados a regressar à
infância, indivíduos altamente
hipnotizáveis se comportam como
crianças, com freqüência
tornam-se bastante emotivos e podem, mais
tarde, insistir que reviveram mesmo a
própria história. Mas pesquisas
confirmam que estas respostas não
são da infância verdadeira
dos participantes - nem na fala, nem em
padrões como comportamento, emoção,
percepção, vocabulário
ou pensamento.
Estes
comportamentos não são mais
infantis do que quando os adultos imitam
as crianças. Em resumo, a hipnose
não permite ao indivíduo
transcender a natureza fundamental e as
limitações da memória
humana.
Ela não
possibilita a alguém recuperar
recordações de décadas
ou a retraçar ou desfazer o desenvolvimento
humano.
Quais
os benefícios médicos da
hipnose? Um comitê de avaliação
dos Institutos Nacionais de Saúde
dos Estados Unidos, de 1996, considerou
a hipnose uma intervenção
efetiva para aliviar a dor do câncer
e de outros estados crônicos. Estudos
clínicos abrangentes também
indicam que a hipnose pode reduzir a dor
aguda experimentada por pacientes em tratamento
de queimaduras, crianças que sofrem
remoção de medula óssea
e mulheres em trabalho de parto. Uma revisão
de literatura publicada em um número
especial do International Journal of Clinical
and Experimental Hypnosis, por exemplo,
relatou que sugestões hipnóticas
aliviaram a dor de 75% dos 933 indivíduos
participantes de 27 experiências
diferentes. O efeito lenitivo da hipnose
é, com freqüência substancial,
e em alguns casos o grau de alívio
iguala ou excede o obtido com morfina.
Mas a
Sociedade de Hipnose Clínica e
Experimental afirma que a hipnose não
pode, e não deve, ser usada como
único tratamento médico
ou psicológico para qualquer problema.
A razão para isso é o fato
de que qualquer pessoa que leia instruções
de modo correto pode aprender a hipnotizar
alguém. Um indivíduo com
um problema médico ou psicológico
deve primeiro consultar um serviço
de saúde qualificado para obter
um diagnóstico. Só o médico
é capaz de decidir com o paciente
se a hipnose é indicada e, se for,
como pode ser incorporada ao tratamento.
A hipnose
pode intensificar a eficiência da
psicoterapia em alguns casos.
Outra
revisão de literatura que examinou
os resultados de 18 estudos diferentes
descobriu que os pacientes que se submeteram
à terapia cognitiva comportamental
associada à hipnose no tratamento
da obesidade, insônia, ansiedade
e hipertensão obtiveram melhoria
superior aos 70% dos que receberam apenas
a psicoterapia. Após a publicação
destas descobertas, uma força-tarefa
da Associação Americana
de Psicologia validou a hipnose como um
procedimento auxiliar no tratamento da
obesidade. Mas a entidade ainda não
se pronunciou no caso de outras desordens
que têm um componente comportamental.
Uso de drogas e alcoolismo não
respondem bem à hipnose, e as evidências
de que a hipnose ajude a parar de fumar
são duvidosas.
Isto posto,
há evidências fortes mas
ainda não definitivas de que a
hipnose possa ser um componente efetivo
no tratamento mais amplo de outros problemas.
A lista de possibilidades de tratamento
por esse recurso inclui certos tipos de
asma; algumas doenças dermatológicas,
inclusive verrugas; problemas instestinais;
hemofilia; e náusea causada por
quimioterapia. O mecanismo pelo qual a
hipnose alivia esses problemas é
desconhecido, e as alegações
de que ela aumenta a imunidade de modo
relevante, do ponto de vista clínico,
ainda não são substanciais.
Há
mais de 30 anos, Hilgard dizia que tão
logo o conhecimento sobre a hipnose se
tornasse mais difundido na comunidade
científica, um processo de "domesticação"
aconteceria: pesquisadores usariam a técnica
cada vez mais como uma ferramenta rotineira
para estudar outros tópicos de
interesse, como alucinação,
dor e memória. Ele previu que,
assim alicerçado na ciência,
o uso clínico da hipnose se tornaria
comum para alguns pacientes com certos
problemas. Embora ainda não tenhamos
chegado lá, a hipnose já
percorreu um longo caminho desde o oscilante
relógio de bolso.
| O
autor |
| Michael R. Nash é professor de psicologia da
Universidade do Tennessee em Knoxville.
Desenvolve pesquisas sobre memória
humana, patologia dissociativa, abuso
sexual, psicoterapia e hipnose.
Grant Benham é professor-assistente da
Universidade do Texas-Pan-Americana
e investiga as interações
mente-corpo, hipnose e psiconeuroimunologia.
- Tradução de Irati Antonio
|
| |
| Para
conhecer mais |
| Hypnosis for the seriously curious.
Kenneth Bowers. W. W. Norton, 1983.
Contemporary hypnosis
research. Erika Fromm e Michael
R. Nash. Guilford Press, 1992.
Sociedade de Hipnose Clínica
e Experimental (www.sceh.us).
|
Fonte: http://www.vivermentecerebro.com.br |